Os media corrompem

Os diferentes telejornais, e a diferentes horas, dedicam um tempo inicial e muito distendido ao estado de cada um dos sucessivos casos de corrupção, envolvendo fugitivos, prisões preventivas, acusações várias que, por regra, têm à cabeça a fraude fiscal. Portugal entretém-se com a novela policial da elite corrupta. Os CSI, os Bull e as notáveis produções de entretenimento dos canais especializados em filmes e séries não se podem comparam na sua excelência a esta bárbara narrativa lusa sobre a corrupção das suas elites, uma narrativa que roça, de facto, a obscenidade. E a corrupção é privilégio de uma parte da elite instalada nos grandes negócios e no poder ou abrangerá uma parte muito maior da população? É um auto-retrato sombrio. E será que imolados uns quantos membros da elite que controla o sistema político a questão de fundo, o comportamento medíocre da economia portuguesa, que compromete a qualidade dos serviços sociais e a melhoria do baixo rendimento da população, fica resolvido?