ARMAGEDON

08-10-2024
A espécie humana quer escapar à sorte dos dinossauros e eliminar, com a tecnologia que hoje detém, a ameaça de um asteroide em rota de colisão com a Terra. Talvez o consiga. Mas chegará a ter de enfrentar semelhante ameaça? Ou o Armagedon será outro? Possivelmente nem precisará haver asteroide

O que nos espera em 2025 de acordo com as previsões das principais instituições económicas mundiais não é brilhante. Sem outras considerações, do ponto de vista do crescimento indispensável ao desenvolvimento e ao aumento da população, as perspectivas não são animadoras. Ficaremos, em termos mundiais, segundo o Banco Mundial, em 2,6%, abaixo dos 3,1% registados na década anterior.

Estas estimativas não interiorizam contudo (nem o podem fazer) os efeitos geopolíticos e outros.

A guerra no Golfo Pérsico já valeu a subida célere do preço do barril de crude de uns confortáveis USD 70 para perto de USD 80. O que, ainda não sendo dramático, pode tornar-se, com a intensificação do conflito e o eventual encerramento do estreito de Ormuz. Isto recai sobre uma economia já fragilizada, incerta, uma incerteza que se torna uma perigosa certeza quanto aos danos que serão provocados nos circuitos comerciais por uma guerra de tarifas. Some-se um preço do petróleo que ameaça disparar e temos o pânico.

O pânico, em primeiro lugar, da probabilidade de uma III Guerra Mundial, desta vez trazendo o Armagedon.

E a última coisa a conseguir ter no meio de tudo isto é "esperança".

Fica-se com a ideia de que o mundo está entregue a irresponsáveis, incompetentes, tarados e assassinos. Não se descortina qualquer solução para a Guerra no Golfo. E a Guerra da Ucrânia, que se parece cada vez mais com um triunfo russo, vai-se agravando como um episódio psicótico e mantém-se arredada da diplomacia do chamado "Ocidente". Qualquer dos conflitos devora milhares de milhões de dólares, quando o designado "Ocidente" e o planeta deles carecem.

Juntem-se a isto os problemas, gravíssimos, ligados à prevalência da espécie humana, colocados pela IA, os profundíssimos desequilíbrios ecológicos (com a última extinção massiva de espécies, a primeira originada pelo "homo-sapiens", a escassez a muito curto prazo de recursos fundamentais como a água, alterações no clima, a incapacidade de encontrar um novo quadro de poder que equilibre as relações e permita a cooperação internacional fora de um clima belicista…

A espécie humana quer escapar à sorte dos dinossauros e eliminar, com a tecnologia que hoje detém, a ameaça de um asteroide em rota de colisão com a Terra. Talvez o consiga. Mas chegará a ter de enfrentar semelhante ameaça? Ou o Armagedon será outro?

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