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O oceano pela frente e Espanha e França por trás. Está claro que o perigo futuro não vem dos exércitos russos na península, os tais que não conseguiram chegar a Kiev, mas de nós mesmos e da nossa incompetência e incapacidade de bem decidir o planeamento e investimento do país.

Clara Ferreira Alves, Expresso, 06/02/2026 

Uma medida que gera desigualdade facilmente percebida no local de trabalho, que tem problemas constitucionais, que é cara e ameaça o equilíbrio das contas públicas, criando até responsabilidades futuras por via da litigância, e não dá qualquer garantia de prender os jovens em Portugal só pode (e deve) ser abandonada. Alguém não pensou bem nas consequências de criar um IRS para jovens e outro para velhos. Não desistir de uma iniciativa com tantos problemas será pura teimosia. Se Luís Montenegro não desistir esperemos que exista bom senso no Parlamento. 

Helena Garrido, Observador, 24/09/2024

O pretexto parte muitas vezes de "casos" reais, mas que são inseridos num fluxo que não é nem informativo, nem comunicacional, mas politicamente instrumental. O clima é persecutório. Deixou de haver a presunção da inocência, e os desmentidos, mesmo quando revelam mentiras e manipulações grosseiras, ou quando significam a conclusão judicial pelo arquivamento por falta de provas ou a absolvição, raramente são noticiados ou são remetidos para um fundo de página. Há alvos a abater, que uma vez abatidos passam a mira para outros alvos. Há técnicas de saturação que misturam coisas sérias com trivialidades, porque o que conta é criar uma ecologia tóxica, e não a relevância do que se "denuncia". Tudo é, aliás, tratado do mesmo modo, porque resulta tratá-lo do mesmo modo. O que conta é a repetição, o estilo e o tom.

José Pacheco Pereira, Público 29/04/2023

Um acordo para a crise não vir pode vir a breve prazo. O conflito não apenas interrompeu as cadeias globais de suprimento de alimentos e energia, produzindo ondas de choque em todo o mundo, mas, à medida que as hostilidades se intensificaram, surgiram rumores sobre a perspectiva do uso de armas nucleares. Como disse Xi, não haverá vencedores nesse cenário de pesadelo. Todas as partes envolvidas devem manter a calma e praticar a moderação, focarem-se verdadeiramente no futuro e no destino de si mesmas e de toda a humanidade e administrar a crise em conjunto. XI observou que o pensamento racional e as vozes das partes interessadas estão aumentando agora, e a oportunidade deve ser aproveitada para acumular condições favoráveis ​​para uma resolução política da crise.

Editorial China Daily 26/04/2023

Xi expressou sua esperança de que todas as partes reflitam sobre a crise na Ucrânia e busquem em conjunto uma abordagem para garantir uma paz duradoura na Europa.

Sobre os laços bilaterais, Xi disse que não importa como a situação internacional evolua, a China está pronta para trabalhar com a Ucrânia para promover a cooperação mutuamente benéfica entre os dois países.

China Daily 26/04/2023

Claro que falar de eleições antecipadas, quando o Governo foi legitimado há pouco mais de um ano com maioria absoluta, só faz sentido porque as razões que têm levado o PS a descer nas sondagens nada têm a ver com reformas estruturais, essas sim seriam razões boas para uma zanga dos eleitores – o tal problema de custos de curto prazo para benefícios a médio e longo prazo. A interrupção da legislatura só se percebe porque aquilo que está a induzir a impopularidade do Governo está relacionado com a perceção, correta ou incorreta, de incapacidade de governar e de escolher equipas. 

Helena Garrido, Observador, 25/04/2023

Durante muito tempo, a UE foi um promotor essencial da diplomacia e da negociação e praticamente deixou de o ser, não só no espaço europeu, mas um pouco por todo o mundo. Isso vê-se com a iniciativa da China no plano de paz. A UE e os EUA estão completamente desligados da promoção da paz, da negociação, da resolução de conflitos, um pouco por todo o mundo, quando sempre defenderam um papel de negociação e resolução de conflitos. Esse vazio vai ser ocupado por outros actores, nomeadamente pela China.

Pedro Ponte e Sousa em entrevista ao Público, 17/04/23

As extremas-direitas nascem nas filas de espera dos hospitais, nos bairros segregados e nos edifícios degradados. As extremas-direitas nascem à entrada dos tribunais que não julgam os ricos e os poderosos, surgem à saída das escolas onde manuais pretendem impor programas politicamente correctos e germinam nos aeroportos onde se cruzam emigrantes portugueses de partida e imigrantes estrangeiros de chegada. As extremas-direitas alimentam-se nas Forças Aramadas sem equipamento nem autoridade, nas barcaças dos traficantes de mão-de-obra e nos conflitos raciais. As extremas-direitas medram nos bairros onde se faz tráfico de endereços falsos, nas residências recheadas de clandestinos, nas reuniões onde se vendem ao desbarato empresas nacionais a grupos predadores e nos bairros metropolitanos onde os preços da habitação atingiram valores insuportáveis. As extremas-direitas nascem onde se cultiva o nepotismo familiar e o favoritismo partidário. As extremas-direitas desenvolvem-se neste ambiente de crise larvar, de desordem institucional e de incompetência a que se assiste presentemente. 

António Barreto, Público, 18/03/23 

No centro do conflito dos nossos dias está um capital financeiro que ilude as fronteiras dos estados-nação. Que não se submete nem a ideologias, nem a civilizações. Um capital que é sobretudo dívida e que não sabe como se livrar dela. Tão mais fácil seria para nós que as fronteiras de Berlim estivessem o mais próximo possível da nossa dívida externa! Mas, infortúnio, a dívida de todos é a riqueza dos Musk. Tudo se joga nas bolsas. As poupanças de todos estão nas mãos de uns poucos, e a guerra é a única forma de manter a ilusão de que o dinheiro não é tudo.

Rui Ferreira, Observador, 16/05/2022

O povo é sábio e soberano. Excepto quando um partido "iliberal" ganha uma eleição por uma margem esmagadora, como 54% contra 32%. Aí, o povo continua a ser sábio e soberano mas foi enganado. Ou antes ou depois ou durante a eleição, tem de ter havido ali coisa. Até porque, como toda a gente sabe, os manipuladores estão todos à direita daquela linha vermelha que separa os bárbaros dos iluminados, os corruptos dos incorruptíveis, os disseminadores de fake news dos detentores de fact cheks, os nacionalistas dos globalistas, enfim, os "iliberais" dos "liberais".

(Sobre a reeleição de Viktor Orbán na Hungria)

Jaime Nogueira Pinto, Observador, 09/04/2022 

E como a festa dos Óscares não tem interesse, e tudo aquilo não passa de uma feira de vaidades da "comunidade" que é como eles se chamam a si mesmos, e de um desfile de marcas de moda, com a ditadura politicamente correta para disfarçar a vacuidade geral e a falta de qualidade universal da arte e da "indústria", coberta pelos lucros da infantilização da audiência pelo universo Marvel e os blockbusters feitos para o mercado chinês, deveríamos estar agradecidos a Will Smith. 

Clara Ferreira Alves, Expresso, 02/04/2022 

Mas mesmo que a Ideologia de Género, parte da Ideologia Woke, não seja exactamente uma ideologia, é, pelo menos, um insidioso "projecto moral". Um projecto centrado na tríade sexo, género e raça que proporciona modernidade, activismo, fanatismo e conforto cívico aos utentes, que contamina e seca quase tudo, Cultura, Ciência, Pensamento, Liberdade de Expressão, mas que não belisca a Economia, atirando para a irrelevância velhas causas, comuns à esquerda social e à direita social, mas tradicionalmente definidoras da Esquerda, como a Justiça e a Igualdade económica.

Jaime Nogueira Pinto, Observador, 02/04/2022 

(Para o Governo) Aquilo que parecia ser um passeio, com milhares de milhões de euros para investir, num almoço grátis de subsídios europeus, transformou-se num pesadelo no dia 24 de Fevereiro de 2022, um desafio que não vai ser fácil de gerir.

Helena Garrido, Observador, 29/03/2022

Este sistema eleitoral (português) está longe de ser neutro em termos económicos. Os partidos e o Governo tendem a beneficiar aqueles que lhes dão os votos. Se os votos estão nas zonas urbanas, obviamente que as políticas e os investimentos dirigem-se para aí.

 Helena Garrido, Observador, 22/02/2022

Os bancos centrais estão naquela situação daquela música de Ney Matogrosso: "se correr o bicho pega, se ficar o bicho come". Se não fizerem nada, correm o sério risco de ver a inflação aumentar ainda mais e terão de subir muito mais as taxas de juro, com a possibilidade de desencadearem uma recessão. Se fizerem alguma coisa, correm o risco de serem apanhados pelos mercados financeiros em fuga dos países endividados, gerando um problema de falta de financiamento que vai requerer a sua ajuda e gerar recessão.

 Helena Garrido, Observador, 15/02/2022

O que essa facção {a mesmo facção política que há 27 anos chegou ao governo com António Guterres (a começar, claro, por António Costa, secretário de Estado em 1995 e ministro em 1997)}  tem para mostrar, ao fim de 27 anos em que governou quase sempre, já sabemos: o mais longo período de divergência em relação às economias ocidentais desde há um século, o maior nível de endividamento desde o século XIX, uma bancarrota e a total dependência do BCE, um dos maiores esforços fiscais do mundo, a mais intensa emigração desde 1970, o colapso do SNS, a importação da guerra cultural à americana, e a acusação de um ex-primeiro-ministro por corrupção. Nada disto foi o azar, o euro, a armadilha dos países de rendimento intermédio, ou a personalidade de Sócrates. Tudo faz sentido como o preço que um país tem de pagar quando uma facção usa o Estado para subjugar a economia e manipular a sociedade.

Rui Ramos, Observador, 21/01/2022

Um governo PS pode cortar despesa e impor a austeridade, como acontecia no PEC IV, pode ter como principio fundamental as chamadas contas certas, como acontece neste OE, mas recusa qualquer reforma. E recusa porque não pode - tem medo de perder o voto dos dependentes do Estado - e porque não quer: reformar o pais implica tornar os portugueses menos dependentes do Estado, logo diminuir o poder de uma máquina que o PS controla de cima abaixo.

Helena Matos, Observador, 16/01/2022

Veja-se a lista de acusados, arguidos e investigados. Primeiro-ministro, ministros, secretários de Estado, banqueiros, presidentes de institutos, chefes de polícia, juízes da primeira instância, juízes da Relação, presidentes de clubes de futebol... Haverá, na Europa, muitos países em que seja possível estabelecer uma lista como esta?

António Barreto, Público, 15/01/2022

André Ventura é uma personagem fácil de odiar pelas elites civilizadas, e fácil de amar por aqueles que odeiam o regime. São duas faces da mesma moeda. Mais difícil é compreendê-lo e desmontá-lo, porque quem se atreve a tal exercício logo é acusado de estar a justificar André Ventura.

João Miguel Tavares, Público, 06/01/2022


A pandemia pode ter-nos iludido, pode ter criado a ideia de que alguns problemas são culpa do Covid. Mas não são. A estratégia usada para reduzir o défice público durante os últimos seis anos, tentando conciliar esse objectivo com a agenda do PCP e do BE, fez com que se cortasse na despesa de tudo o que não se via, de imediato.

Helena Garrido, Observador, 28/12/2021


Ao mesmo tempo que passou a prever uma taxa de inflação mais alta nos próximos anos, o BCE anunciou que o ritmo a que está a comprar dívida pública nos mercados irá abrandar, um primeiro passo na viragem da política monetária na zona euro.

Sérgio Aníbal, Público, 16/12/2021


De onde vêm os 520 mil milhões de euros que a Comissão estima serem necessários investir (na transição climática) todos os anos, durante os próximos dez anos, e quem é que vai comprar o quê a quem, com esses euros todos? As respostas a estas duas perguntas são tudo menos irrelevantes.

Henrique Burnay, Observador, 16/12/2021


As despesas com apoios públicos à banca ascenderam a 29.155 milhões de euros entre 2008 e 2020, tendo as receitas atingido 7.319 milhões de euros, originando um saldo negativo de 21.836 milhões de euros, segundo o Tribunal de Contas.

Expresso, 15/12/2021 


A legislação feita em cima do joelho e as mil e uma regras que entidades várias vão criando fazem com que seja até um milagre existir quem queira ser empresário em Portugal. É preciso ter negócios que deem bastante dinheiro para se poder pagar a contabilistas, fiscalistas, solicitadores e advogados que orientem o empresário na teia legislativa e burocrática do país.

Helena Garrido, Observador, 14/12/2021


Depois de ter desperdiçado uma conjuntura económica excelente sem ter feito uma única reforma, tendo aliás promovido tudo aquilo que impede qualquer reforma, António Costa prepara-se para fazer mais uma geringonça, ou seja criar uma engrenagem que permita manter o PS no poder A regionalização vai ser o cimento dessa geringonça.

Helena Matos, Observador, 11/12/2021


A União Europeia foi longe de mais. Já hostiliza o princípio nacional, o que é mau para a democracia e a paz. Também largos sectores da população, com e sem razão, contrariam a pressão federal e o princípio europeu. Se as autoridades, os partidos e a sociedade civil não prestarem atenção e se limitarem a proclamar as suas verdades a favor ou contra a imigração, a favor ou contra as nações e os Estados nacionais, teremos certamente, a breve prazo, acontecimentos imprevisíveis, desastrados e perigosos. É quase uma ironia pensar que as fronteiras e os passaportes podem voltar a fazer parte do quotidiano europeu. Mas já estivemos mais longe.

António Barreto, Público, 11/12/2021


Apesar de todos estes dados disponíveis, não estou confortável e muito menos tranquila sobre a real situação económica, presente e futura, do nosso país. O meu problema não é a falta de informação estatística nem a sua qualidade técnica e muito menos a sua utilidade para a tomada de decisões competentes. O meu problema resulta do telejornal, que, presumo, noticia a realidade. Como explicar a escassez de mão-de-obra em sectores de actividade que, até há pouco tempo, eram dos que mais a absorviam, como é o caso do turismo e da construção, agravando-se simultaneamente as situações de pobreza? A notícia é de que existem mais de 400 mil pessoas a viver abaixo do limite da pobreza! Como aceitar que 24 mil famílias vivam em construções precárias e que haja mais de 11 mil casas ilegais nos últimos três anos? Será que o subsídio de desemprego e mais alguns apoios são incentivadores do trabalho ilegal? E o aumento do salário mínimo, incomportável para muitas pequenas empresas, está a conduzi-los à contratação ilegal? E um salário mínimo tão próximo do salário médio não conduz a uma ponderação das consequências de tal contradição? Porque será que 72% dos jovens ganham menos de 950 euros e 30% querem emigrar, conforme estudo divulgado neste jornal? Afinal, quem vai beneficiar do retorno do investimento em educação? Como compatibilizar os dados estatísticos proclamados, como a melhoria dos serviços de saúde, com o anúncio, quase diário, de demissões em bloco de administrações de diferentes unidades hospitalares? Todos estes dados foram obtidos dos telejornais, e não das estatísticas oficiais, mas também não estão isentos da necessidade de os explicar.

Manuela Ferreira Leite, Expresso, 4/12/2021

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